29 de Maio de 2026
FELIZ NATAL
Publicado em: 14/11/2020 às 09:47

De cruel a pastor; relembre vida pregressa do 'Menino Mau', morto em Cuiabá

Um dos maiores nomes do crime em Cuiabá, Aclides, com 41 anos, foi morto na noite de domingo
gazeta digital 

Foram 28 tentativas até que em abril de 2002, a Polícia Militar conseguiu prender Aclides Marcelo Gomes, o ‘Menino Mau’, aos 24 anos. Ele já era procurado por ser autor da morte de desafetos, pela tentativa de homicídio de vítimas com quem o ‘santo não batia’, além do autor de uma chacina que vitimou 6 pessoas no bairro Altos da Serra, em 2001. 

 

Um dos maiores nomes do crime em Cuiabá, Aclides, com 41 anos, foi morto na noite de domingo (8), dentro do banheiro de uma casa no bairro Lixeira, onde cumpria a pena no regime semiaberto por determinação judicial proferida em 2018 por ‘bom comportamento’ e por ter cumprido um sexto da pena. Ele foi condenado a 129 anos de prisão por 12 homicídios.

 

Em pesquisa nos arquivos do Jornal A Gazeta, a reportagem do gazeta digital montou uma linha do tempo para ilustrar os principais fatos envolvendo a vida criminal de Aclides, que se converteu na cadeia, foi batizado passou a ser conhecido como pastor evangélico.

 

Seus crimes ganharam notoriedade no final da década de 1990. Menino Mau era conhecido pela sua crueldade e pela frieza ao matar as vítimas. Geralmente mortas a tiros, mas tinham a cabeça esmagada com pedradas ou pedaços de madeira. 

 

Chico Ferreira

Acrides Marcelo Gomes, o ‘Menino Mau’,

Segundo julgamento do Menino Mau, em Julho de 2002

Ele já estava sendo procurado e consta no registro da reportagem que após 28 tentativas, ele foi preso a 600 metros do Comando Regional da PM, após uma denúncia anônima. Primeiro julgamento foi em 2003, por uma tentativa de homicídio, sendo condenado a 5 anos de prisão.

 

No mesmo ano, ele sentou novamente no banco dos réus, sendo condenado há 8 anos por outra tentativa de homicídio. As penas já somavam 13 anos. Em dezembro 1999, ele foi acusado de matar Cláudio Gonçalvez de Souza e Alexandre da Costa Moreira, que era parente de Joelson da Costa Moreira, que ele tentou matar em março do mesmo ano.

 

Em janeiro de 2000, ele matou Isael José de Moura. Também aparece na lista de crimes a morte de Isamilson Aparecido de Souza Freitas, no Pedregal. Elvis Corrêa também foi morto pelo Menino Mau, bem como Paulo Roberto Souza e o último grande crime dele foi a ‘Chacina do Altos da Serra’, quando 6 pessoas foram mortas.

 

Em 2006, já preso e condenado a 58 anos de prisão por 6 assassinatos – ainda não havia sido julgado pela chacina – ele concedeu uma entrevista à reportagem do Jornal A Gazeta. Convertido e atuando como pastor dentro do Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), afirmou que "não tinha mais saída [...] Deus me deu essa chance. Se a pessoa chega com a mente aberta porque não pode se regenerar?".  

 

Acrides Marcelo Gomes, o ‘Menino Mau’,

Ainda preso, deu entrevista para a equipe do Jornal A Gazeta e falou sobre sua vida como pastor

 

Chegou a dizer ainda entrou para o crime por causa das ‘más companhias’ e que usou maconha e pasta base por muito tempo. "O mundo do crime é assim. Não se tem perspectiva nenhuma de vida, só de morte. Você se afasta de todos que ama porque não quer colocar em risco, você perde tudo".

 

Em 2007 foi julgado por roubos cometidos contra duas pessoas. Foi condenado a mais 8 anos. Mas, o julgamento da chacina só começou em 2009 e durou meses. Ele confessou que liderou grupo que cometeu o crime, mas afirmou que só matou uma das vítimas. 

 

No dia do crime foram mortos Gonçalina Guia de Campos, João Zeferino da Silva, Eleonice da Costa Oliveira, Antonildes da Silva Nascimento, Amapola Kilses e tiago Dias dos Anjos. A motivação do crime foi a compra de maconha, que não aconteceu.

 

Menino Mau teria mandado um ‘seguidor’ comprar a droga na boca da Gonçalina, mas ele voltou sem a maconha e disse ainda que foi maltratado, o que bastou para ele decidir matar todos que estavam no local. Depois de anos na prisão, dizia que se arrependeu e buscava viver sem pecados.

 

O último registro de Aclides foi feito pelo repórter fotográfico Chico Ferreira, em 2019, pregando no pavilhão do Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC).

Fonte: gazeta digital 
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